sábado, 17 de janeiro de 2009

Greve pela educação - Artigo da Sofia

O magistério estadual tem noção do que está em jogo neste momento. Não se trata de um determinado índice de reajuste, de uma gratificação ou pauta regional. Sua coragem vem da dimensão que o Piso Salarial Profissional tem para a mudança decisiva da educação brasileira. Com o Fundeb – Fundo de Educação Básica e o Piso – persistindo a luta por mais recursos e aprofundando o debate da qualidade - o Brasil ensaia o maior passo já dado para colocar a educação num nível de fato correspondente aos desafios de seu desenvolvimento humano e material.

O dramático para nós é que é do Rio Grande do Sul que parte a iniciativa de uma ação Direta de Inconstitucionalidade do Piso e a Regulamentação que o descaracteriza no seu papel de ser base inicial de carreira e vantagens que sigam estimulando e valorizando o trabalhador da educação! Do mesmo estado que lidera as avaliações públicas de desempenho dos alunos, mas que sabe dos enormes índices de reprovação e evasão escolar e precisa, portanto, investir muito mais. Estes indicadores são reflexos da dura realidade enfrentada para o desenvolvimento do processo ensino -aprendizagem e das políticas públicas que ali interagem, ou não. As situações de vulnerabilidade comunitária, principalmente nos centros urbanos, entram na escola com os alunos.

Dois anos de Governo Ieda/Mariza não reconheceram estas necessidades, ao contrário, aprofundaram as dificuldades com a retirada de pessoal pedagógico, com o cancelamento do concurso e proliferação dos contratos temporários, com a enturmação e ausência de formação para o conjunto dos trabalhadores. O envio do Projeto de Lei sobre o Piso em regime de urgência e o anúncio de mudanças na carreira, foi o estopim de uma situação de inconformidade e falta de diálogo.

Enfim, um governo que provoca para que a categoria não encerre a greve. A rispidez, intransigência e absoluta falta de tato da Secretária de Educação e sua determinação em punir os professores, demonstram um descaso e irresponsabilidade com os pais e alunos incomparável com qualquer outro momento da educação neste estado. Na reunião com o Comando de Greve na quinta-feira passada, depois que a Assembléia Legislativa havia se comprometido em não votar neste período os projetos relativos à categoria, o único ponto que faltava era o abono dos dias parados. Detalhe muito pequeno diante da gravidade do magistério em greve.

Tratando-se de uma categoria que sempre recuperou as aulas! A Secretária não deseja o fim da greve! E quem paga o preço é a sociedade gaúcha!

Sofia Cavedon – Vereadora do PT / Presidente da Comissão de Educação da Câmara de Porto Alegre.

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